Associação Brasileira dos Treinadores de Tambor e Baliza
    A Paixão Levada a Sério

Hall da Fama

Marcos Toledo

É a mesma coisa quando Marcos Toledo, o Marcão, entra na arena. O burburinho pára e a atenção se volta toda para o experiente cowboy.

Ele é um dos pioneiros dos esportes western no Brasil. Foi o primeiro discípulo do Borba nos métodos e conceitos da doma racional e gentil.

O aperfeiçoamento no novo sistema lapidou o conhecimento autodidata e potencializou a segurança e o equilíbrio do professor de todos nós.

Quem tem a oportunidade de passar momentos ao lado dele e ouvir suas palavras delicadas, sábias e nem por isso, menos engraçadas, recebe um exemplo do que é ser atleta e ser humano.

Marcos Toledo tem 55 anos. Faz aniversário em sete de outubro. Ele é casado com a dona Doracy há quase quatro décadas e com ela teve os filhos Sérgio Donizete, Silvia Mara, Sandra Aparecida e Marco Antônio. Netos já são três.

Uma vida dedicada ao esporte equestre

A história do Marcão com os cavalos começou na primeira infância. Desde que passou do andar de gatinho para os passos de embriagado dos moleques de dois, três anos, buscou a missão de chegar perto dos bichos do terreiro. Bichos quaisquer destes que bicam, latem ou roubam os bifes do fogão. Imaginem então o fascínio que exercia nele a visão nobre e altiva do gado encarando de volta quem os encara; dos cavalos com crinas ao vento e das éguada escondendo os pequenos tesouros em forma de pernas que são os potrilhos.

Por sorte o pai era condutor de carro que levava boiada de lá pra cá e tropa para domar.

Marcão fugia da escola para acompanhar as comitivas e só concluiu a terceira série do primário na marra, debaixo da ardida vara de marmelo da mãe. Vale lembrar também o empenho da Dona Terezinha, a professora que dava aulas em casa.

Aprendeu por observação e por talento próprio a mexer com a boiada, mulas, burros e toda montaria disponível na região.

Foi só em 1978 que deu de cara com os artistas eqüinos de faroeste americano. Eram os quarto-de-milha. E ele se apaixonou. O lugar era o Clube Hípico de Garça e lá Marcão foi direto para o treinamento de tambor e baliza.

Depois de concluir o primeiro curso com o Borba, recém chegado dos EUA. Fundou um centro de treinamento próprio. E pelas mãos do mestre passaram competidores como Paulo Koury, Franco Bertolani, Carlos Polidorio, Edgar Alves, Milton Bueno, Sérgio Toledo, Marquinho Toledo, Sandra, Silvia, Vaguinho Simionato e atletas equinos como Old Ondo, Joystick, Tucupi SKR, Kromita MA 10 e outros conjuntos mais jovens. Prêmios são incontáveis. Na lista estão todos os grandes campeonatos das maiores provas de tambor e baliza e outras modalidades. Tanto como competidor quanto como instrutor.

Bota, espora e jeito herói

Era um dia de adrenalina em alta e clima tenso. As provas começaram com os menores. A Sandra não tinha nem seis anos e já corria na maneabilidade. A organização chamou a inscrição da filha dos Toledo. Ela partiu e estava indo muito bem, cumprindo o percurso sem sustos. Mas um imprevisto aconteceu. Quando o animal saltou um obstáculo, a menininha foi jogada da sela para o pescoço num instante. A pequena manteve o equilíbrio porém perdeu as rédeas. O bicho, sem condutor, assustou e disparou. Marcão ligeiro, também montado, partiu no encalço da fugitiva. Ele foi o madrinheiro da tarde e com a ajuda de um anjo conseguiu resgatar a filha e livrá-la do perigo. A égua assustada e sem a cavaleira ainda pulou a cerca para fora da arena. Silvinha estava a salvo e segura na cabeça da sela do pai e fez carreira nos esportes eqüestres como todos os irmãos.

Sonhar sempre

Marcão segue nos dando exemplos. Ele ainda dá cursos. É generoso para passar aos aprendizes tudo o que sabe e conhece. Truques que podem fazer diferença entre o campeão e o segundo colocado são muitos.

Posturas de vida idem. O velho cowboy de sorriso fácil continua correndo e treinando. Quer fazer muitas coisas antes de aposentar as botas. Deseja ser campeão muitas vezes e garante que estudar e treinar é fundamental. Para Marcão os cursos são importantes para aprimorar o dom natural de todos nós.

“Para mim o caboclo tem que gostar. Cavalo é como alguém da família, que a gente precisa corrigir e cuidar sem maltratar.

Sou um homem realizado. Sinto orgulho por meus filhos e netos seguirem meu caminho e conseguirem sucesso. Acho que consegui uma glória de Deus. “

Marcos Toledo

Texto: Márcia Benevenuto (Repórter – Canal Rural – Grupo RBS)

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